-Acho melhor esperar o temporal passar, senhor. – Disse a atendente da loja de instrumentos musicais.
-Em quanto tempo você acha que essa chuva passa? – perguntou ansiosamente Joe.
- Acredito que antes de anoitecer, em torno de trinta minutos.
- Tenho que ir, obrigado.
Deixou a loja e seguiu a passos lentos pela rua. Guardou o chapéu na mochila e certificou-se de que a caixa da guitarra de Chang estava corretamente fechada. Tinha pressa, ainda teria que ir à padaria e levar o jantar antes que Jack e Raistlin voltassem. “Maldito despertador”, aquela era a primeira vez que se via atrasado. Corria a vista pela rua, do outro lado mãe e filha dividiam um guarda-chuva, à sua frente um senhor com uma capa de chuva carregando uma maleta preta. Mais alguns passos e viu numa das construções adiante um enorme outdoor, aos seus olhos a enorme placa vacilava, repetia para si mesmo que era o sono, havia deixado o apartamento quase de imediato depois de acordar. A camisa de mangas longas de Jack que vestia estava ensopada, o jeans não estava diferente. Voltou a vista para o outdoor e por sorte o fez. Duas das hastes que o mantinha firme quebrara, a placa bateu uma vez no prédio e agora caía em direção à calçada. “Cuidado, senhor!” e num movimento rápido, Joe correu em direção ao senhor que caminhava à sua frente e pulou sobre suas costas. O barulho do ferro em contato com o chão fora tão alto que alguns carros que já haviam passado pararam e voltaram para prestar ajuda. “Meu jovem, Deus o abençoe. Você está bem?” O velho homem saíra do ocorrido apenas com alguns arranhões no braço, agradecia repetidas vezes pelo que Joe fez. “Meu pé senhor, dói muito” gemeu o pirata, a placa caíra exatamente sobre seu calcanhar direito. “Venha, moro aqui perto. Vamos a um médico” E arrastou o pirata que mancava segurando-o pela cintura. Um homem parou o carro próximo à calçada e ofereceu carona “Obrigado rapaz, pode deixar que me encarrego de levá-lo a um médico”.
- Moro aqui ao lado, não se preocupe, em instantes chegaremos à clínica e alguém vai cuidar disso. Obrigado novamente, não sei onde estaria se você não...
- Não foi nada senhor.
- Acho que irão te engessar.
- Não é preciso, obrigado. Ainda tenho que ir à padaria e...- Joe fora interrompido por uma moça que repentinamente abrira a porta e saíra em direção ao velho. Não fosse o velho que tivesse parado de caminhar, seria o próprio Joe.
- Vi da janela o que aconteceu, pai. O senhor está bem?
- Se estou bem, minha filha? Mesmo que estivesse chorando estaria melhor do que se aquela placa me atingisse.
- O senhor está arranhado, deixe-me ver isto... – e a moça levantou a manga do braço que sangrava discretamente.
- Meus ferimentos não são de grande importância agora, Letícia. Pegue o carro, vamos levar este rapaz a uma clínica.
- Ah, foi você quem estava com ele na hora do barulho. Muitíssimo obrigada. – E no meio do temporal, a moça de cabelos cor de mel abraçou forte o heróico pirata que não conseguia ao menos pronunciar um “Por nada”.
quinta-feira, 8 de julho de 2010
Assinar:
Postagens (Atom)