"Por que tão cedo, Billy?", perguntava-se Jack. Era noite, vestia preto, assim como Vicktor, Raistlin e Joe, que não usava seu chapéu. As pernas tremiam, os braços moviam-se inquietos. Memórias bombardeavam Jack, em sua mente vagavam as vezes em que foram expulsos de sala, o campeonato estadual de basquete que venceram, as risadas, as namoradas... Deixou um sorriso escapar quando se lembrou do primeiro dia em que saíram de carro e Billy quase atropela uma senhora. Mas nenhum sorriso superava a dor que sentia com tal perda.
“Deveríamos ter bebido mais, Jones”, também se lamentava Vicktor, que perdera a conta das festas que havia ido com o “Oficial Jones”, como gostava de o chamar. Vicktor sempre fora uma pessoa fria, entretanto, mostrava-se realmente abalado.
Júlia não segurava as lágrimas, não conseguia se imaginar sem seu primo para abraçá-la nos momentos difíceis. Billy sempre fora um ícone para a prima, um exemplo de ser humano bom e honesto. Chang a abraçava forte, tentando frear suas emoções. Momento estranho para Joe, que não entendia a tensão e as vestes pretas ali presentes.
-Dara, quem é a moça sentada ali? – perguntou Joe apontando para algumas cadeiras à frente.
- Não é hora para isso, Joe. – respondeu nervosa.
- Por favor, acho que já a vi na nossa rua.
- Leticia Shevac, uma amiga da família Jones. É provável que a tenha visto por que ela mora em frente ao nosso edifício.
- Posso ir conversar com ela?
- Joe, já disse que não é hora para isso.
-Mas Dara, ela é lin... – e as palavras do pirata foram interrompidas pelo som de muitos instrumentos numa canção cerimonial.
- Olha, Joe. – Dara virou-se para trás, puxando Joe pelo terno. – Lá vem o noivo junto com a senhora Jones!
domingo, 23 de maio de 2010
sábado, 1 de maio de 2010
As histórias do pirata
- É mesmo verdade o que você me falou outro dia sobre o pirata, Raist? – perguntou Dara.
- Tirando o fato de que ele não seja realmente um pirata, é verdade sim.
- Mas ele parece com um. Sempre usa aquela bandana vermelha e aquele chapéu preto, e bebe até não ter mais o que beber...
Na cobertura do prédio, Raistlin e Dara conversavam sentados junto à piscina. Dara havia deitado a cabeça no ombro do garoto, que deslizava os dedos entre seus lisos e longos cabelos cor de mel. Sentiam o chão tremer, Billy Jones se encarregara de fazer daquela festa uma das melhores que já havia organizado, comemorava o prêmio que recebera na universidade por apresentar a cura de uma doença rara e também a volta de sua prima, Julia Jones, que havia viajado para longe. O salão de festas ficava no último andar, não que fosse um prédio enorme, pois o Azalor possuía apenas sete andares, mas era alto o bastante para fornecer visão para o mar e para boa parte da cidade. Jack conversava com Vicktor e Billy, discutiam sobre a possibilidade de comprarem um terreno vizinho a fim de construírem uma quadra, por tempos Vicktor apontara tal idéia, mas o vendedor nunca oferecera tão baixo preço pelo terreno. Julia contava a Chang sobre seus feitos e aventuras no mundo oriental, eram quase como irmãs, cresceram juntas e ambas cursavam História na universidade. Joe estava sentado num sofá, segurando uma garrafa de rum comprada especialmente para ele, e contava à Sarah Volkmer uma de suas aventuras.
- E o que aconteceu depois? – Perguntou Sarah com seus olhos azuis e curiosos.
- Foi quando o grande lobo branco saltou sobre mim. - Joe fizera uma pequena pausa para um gole. - Desviei e corri por entre as árvores e de repente...
- Atenção, todos! – Disse Billy interrompendo a todos, até mesmo a Raistlin e Dara que se perdiam num beijo caloroso. – Hoje comemoramos a volta de minha prima, como todos sabem. Mas também queria fazer um brinde aos tantos anos que estamos juntos neste prédio.
- Formamos o mais puro exemplo de união num mundo tão individualista. – intrometeu-se Jack.
- Irmãos seria a palavra ideal para nos definir. – completou Chang.
- Temos um morador de outro mundo e só nós sabemos! – continuou Billy em mais um de seus grandiosos discursos. – Quantos outros não manteriam sigilo em tal situação? Um brinde, irmãos, a nós! Sobreviventes do mundo moderno!
Num gesto nobre, todos se levantaram e brindaram. Joe apenas acompanhou o que os outros faziam, era seu primeiro brinde na Terra. De volta ao sofá, Joe terminou a longa história depois de dividir algumas doses com Sarah.
- A cada história que escuto, seu mundo me parece mais fantástico, capitão.
- Eram belas terras, irmã. Eu já falei de quando eu tive que cruzar o temível deserto de gelo? – Joe se divertia com o tanto que tinha para contar, Sarah era uma ótima ouvinte e fazia boas perguntas, mesmo afetada pelas doses.
Distraídos com as estrelas e com a lua que parecia sorrir em suas direções, Raistlin e Dara mal sentiam a noite passar.
- Estão todos bêbados. – disse Dara rindo.
- Sempre descubro coisas sobre o Jack nesses momentos de embriaguês. – completou Raistlin.
- Estranho como minha tia ainda não veio me buscar para voltarmos ao apartamento.
- Sarah Volkmer está distraída no momento...
- Do que está falando, Raist?
- Digamos que eu pedi um pequeno favor ao pirata.
- Tirando o fato de que ele não seja realmente um pirata, é verdade sim.
- Mas ele parece com um. Sempre usa aquela bandana vermelha e aquele chapéu preto, e bebe até não ter mais o que beber...
Na cobertura do prédio, Raistlin e Dara conversavam sentados junto à piscina. Dara havia deitado a cabeça no ombro do garoto, que deslizava os dedos entre seus lisos e longos cabelos cor de mel. Sentiam o chão tremer, Billy Jones se encarregara de fazer daquela festa uma das melhores que já havia organizado, comemorava o prêmio que recebera na universidade por apresentar a cura de uma doença rara e também a volta de sua prima, Julia Jones, que havia viajado para longe. O salão de festas ficava no último andar, não que fosse um prédio enorme, pois o Azalor possuía apenas sete andares, mas era alto o bastante para fornecer visão para o mar e para boa parte da cidade. Jack conversava com Vicktor e Billy, discutiam sobre a possibilidade de comprarem um terreno vizinho a fim de construírem uma quadra, por tempos Vicktor apontara tal idéia, mas o vendedor nunca oferecera tão baixo preço pelo terreno. Julia contava a Chang sobre seus feitos e aventuras no mundo oriental, eram quase como irmãs, cresceram juntas e ambas cursavam História na universidade. Joe estava sentado num sofá, segurando uma garrafa de rum comprada especialmente para ele, e contava à Sarah Volkmer uma de suas aventuras.
- E o que aconteceu depois? – Perguntou Sarah com seus olhos azuis e curiosos.
- Foi quando o grande lobo branco saltou sobre mim. - Joe fizera uma pequena pausa para um gole. - Desviei e corri por entre as árvores e de repente...
- Atenção, todos! – Disse Billy interrompendo a todos, até mesmo a Raistlin e Dara que se perdiam num beijo caloroso. – Hoje comemoramos a volta de minha prima, como todos sabem. Mas também queria fazer um brinde aos tantos anos que estamos juntos neste prédio.
- Formamos o mais puro exemplo de união num mundo tão individualista. – intrometeu-se Jack.
- Irmãos seria a palavra ideal para nos definir. – completou Chang.
- Temos um morador de outro mundo e só nós sabemos! – continuou Billy em mais um de seus grandiosos discursos. – Quantos outros não manteriam sigilo em tal situação? Um brinde, irmãos, a nós! Sobreviventes do mundo moderno!
Num gesto nobre, todos se levantaram e brindaram. Joe apenas acompanhou o que os outros faziam, era seu primeiro brinde na Terra. De volta ao sofá, Joe terminou a longa história depois de dividir algumas doses com Sarah.
- A cada história que escuto, seu mundo me parece mais fantástico, capitão.
- Eram belas terras, irmã. Eu já falei de quando eu tive que cruzar o temível deserto de gelo? – Joe se divertia com o tanto que tinha para contar, Sarah era uma ótima ouvinte e fazia boas perguntas, mesmo afetada pelas doses.
Distraídos com as estrelas e com a lua que parecia sorrir em suas direções, Raistlin e Dara mal sentiam a noite passar.
- Estão todos bêbados. – disse Dara rindo.
- Sempre descubro coisas sobre o Jack nesses momentos de embriaguês. – completou Raistlin.
- Estranho como minha tia ainda não veio me buscar para voltarmos ao apartamento.
- Sarah Volkmer está distraída no momento...
- Do que está falando, Raist?
- Digamos que eu pedi um pequeno favor ao pirata.
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