“Segundo o calendário, hoje completo dois meses de estadia neste mundo. Logo, decidi escrever este texto para mostrar o quanto já aprendi com Jack e Raistlin, meus irmãos com quem divido o apartamento. Lembro-me de ter salvado o jovem Trevorts assim que cheguei nestes lados da cidade, uma grande construção móvel prateada chamada de ônibus quase colidia com o garoto, foi quando corri em sua direção para empurrá-lo do caminho. O ônibus se foi e o garoto agradeceu-me inúmeras vezes, mas estranhou minhas vestes. Tentei me comunicar com gestos, não entendia os sons que as pessoas falavam. Raistlin então gesticulou para que eu o seguisse, entramos numa alta construção e subimos alguns degraus. Aquele era seu apartamento, e lá conheci Jack, mais alto e mais forte que Raistlin. Os dois me acolheram e todos os dias me ensinavam alguns sons, aprendi rápido. Deram-me um livro chamado dicionário, com o qual aprendi os outros sons que antes me pareciam estranhos. Perguntei qual era meu nome, e disseram que não sabiam, e decidiram me chamar de Joe. Conheci máquinas incríveis, capazes de reproduzir imagens em telas retangulares. Aprendi os números. Descobri que aqui as pessoas também bebem o líquido de elevação da alma, sendo que existem diversos gostos e nomes para eles, meus preferidos são vodka e rum. Conheci outras pessoas: Sarah Volkmer, Billy Jones, Vicktor Harris, Dara Volkmer, Chang Yang, entre outros. Todos têm em torno de 21 anos de idade, exceto Raistlin e Dara, que teem 16. Percebi algo estranho quando Jack deixou a faca escorregar e cortar sua pele, ele sangrou e ficou preocupado. Contei também minha possível idade, e me senti bem mais velho que os outros. A princípio me senti estranho, mas logo notei que meu corpo não era tão diferente do deles, exceto pelo fato de o meu não se desgastar com o tempo. Tentarei em breve contá-los, não sei se será uma grande surpresa, talvez mudem a forma de me tratar ou me expulsem daqui... Sei que gosto deles e que estou gostando deste mundo. Capitão Joe, 13/04/2020.”
- Tá ocupado, capitão? – perguntou Raistlin.
- Não, irmão. Estava testando minha escrita.
- Legal. Dá uma ajuda aqui? Hoje à noite teremos uma festa com o pessoal do prédio.
- Claro. – Disse Joe carregando uma grande caixa de som. – Pela organização já vi que Dara virá.
- Como? Que tem ela?
- Sou de outro mundo, não sou cego Raist.
quinta-feira, 29 de abril de 2010
quarta-feira, 28 de abril de 2010
O jogo de sempre
O despertador tocou. Jack deixou rapidamente a mesa de estudo sobre a qual dormira e cambaleou até o banheiro. Aquela era a terceira vez que seu despertador acusara naquela manhã, tomou banho e vestiu-se para a faculdade, carregando consigo o remorso de estar atrasado. Saiu do banheiro às pressas com o cabelo assanhado e com dificuldades de abotoar a camisa. Desenterrou a mochila entre os livros e pegou os que iria precisar. A bagunça no quarto, a espera do elevador até chegar ao carro, o trânsito... Tudo perturbava sua mente. Seguiu pelo corredor e abriu a porta do quarto do seu irmão. Raistlin e Joe estavam em frente à televisão jogando vídeo-game.
- Abre rápido o baú, Joe!Não vou agüentar muito tempo com esses guardas!
- Consegui! – respondeu Joe animado. – Estou indo, Raist.
- Agora corre pra saída antes que o portão se feche!
- Vocês passaram a noite jogando esta porcaria? – Interrompeu Jack num tom grosseiro. – Vai se arrumar, Raist. Já estamos atrasados.
- Senta aí conosco, irmão. – respondeu Joe, que agora usava seu exuberante chapéu preto.
- Ele tem responsabilidades, Joe, e você deveria saber disso. Ele não conseguirá assistir a uma aula sequer sem ter dormido à noite...
- A universidade está te deixando perturbado, Jack. Você ficou até tarde lendo aquele livro enorme... Como se chama...
- A Bíblia. – interferiu Joe.
- Chama-se Constituição, Raist. Eu passei a noite estudando, e você está a quase dez horas numa jornada heróica buscando destruir o guardião da prisão dos deuses e salvar o mundo. O que você está pensando da vida?
Trevorts não parecia preocupado com os avisos do irmão, deu uma tapinha nas costas de Joe e começaram a rir. Jack, enfurecido, deixou o apartamento, agora até seu irmão era motivo de perturbação.
- O que usaremos para destruir o guardião da prisão, Raist? – Joe mostrava-se curioso à medida que a jornada prosseguia.
- Uma espada brilhante.
- Mas o guardião é um dragão, irmão. No meu mundo já lutei com um dragão e precisei de bem mais que uma espada para vencê-lo.
- Pena que este é o meu mundo, Joe. – Raistlin pausou o jogo, levantou-se e olhou pela janela. – Vem ver, capitão. Do quinto andar, o velho capitão e o garoto observavam Jack ir em direção ao carro. Num berro, Raistlin chamou a atenção do irmão: - Hoje é sábado, Jack!
- Abre rápido o baú, Joe!Não vou agüentar muito tempo com esses guardas!
- Consegui! – respondeu Joe animado. – Estou indo, Raist.
- Agora corre pra saída antes que o portão se feche!
- Vocês passaram a noite jogando esta porcaria? – Interrompeu Jack num tom grosseiro. – Vai se arrumar, Raist. Já estamos atrasados.
- Senta aí conosco, irmão. – respondeu Joe, que agora usava seu exuberante chapéu preto.
- Ele tem responsabilidades, Joe, e você deveria saber disso. Ele não conseguirá assistir a uma aula sequer sem ter dormido à noite...
- A universidade está te deixando perturbado, Jack. Você ficou até tarde lendo aquele livro enorme... Como se chama...
- A Bíblia. – interferiu Joe.
- Chama-se Constituição, Raist. Eu passei a noite estudando, e você está a quase dez horas numa jornada heróica buscando destruir o guardião da prisão dos deuses e salvar o mundo. O que você está pensando da vida?
Trevorts não parecia preocupado com os avisos do irmão, deu uma tapinha nas costas de Joe e começaram a rir. Jack, enfurecido, deixou o apartamento, agora até seu irmão era motivo de perturbação.
- O que usaremos para destruir o guardião da prisão, Raist? – Joe mostrava-se curioso à medida que a jornada prosseguia.
- Uma espada brilhante.
- Mas o guardião é um dragão, irmão. No meu mundo já lutei com um dragão e precisei de bem mais que uma espada para vencê-lo.
- Pena que este é o meu mundo, Joe. – Raistlin pausou o jogo, levantou-se e olhou pela janela. – Vem ver, capitão. Do quinto andar, o velho capitão e o garoto observavam Jack ir em direção ao carro. Num berro, Raistlin chamou a atenção do irmão: - Hoje é sábado, Jack!
sexta-feira, 23 de abril de 2010
General Raistlin
O velho imperador observava do alto do castelo a gloriosa infantaria inimiga que tomava o horizonte. “Lanceiros, avançar!”, bradou. Os sons da tarde ensolarada tinham se calado, e agora gritos de raiva e de medo cortavam o ar. Os lanceiros do imperador levaram a melhor no primeiro combate, mas foram surpreendidos pelos radiantes cavaleiros que cortavam o campo de batalha como flechas. “Feiticeiros, protejam o flanco esquerdo! Arqueiros mantenham-se em posição defensiva junto aos feiticeiros, em breve tentarão romper nossa muralha.” Não imaginava o tolo imperador que, do outro lado, General Raistlin observava calma e friamente o combate. Via o defensor deixar-se cercar numa estratégia de resistência. “Melo, há um lado cego na defesa inimiga. Os cavaleiros em breve chegarão pelo lado direito do castelo, será o momento em que as forças de defesa se concentrarão daquele lado. Passe despercebido pelo campo de batalha e aguarde próximo ao portão lateral, perceberá a hora de agir, um grupo de arqueiros irá acompanhá-lo. O velho carrega o tesouro no quarto dedo da mão esquerda.” E assim, Raistlin enviou seu mais habilidoso e fiel soldado à batalha. Não bastava tamanha investida à sua fortaleza, começou a chover e o sol se punha. Agora o imperador vagava trêmulo e sem esperanças por trás das muralhas que ruíam. Darius, seu grande guarda, alertou-lhe que não havia mais lanceiros e que o exército inimigo batalhava na esquerda do castelo. “Todas as unidades, protejam a fortaleza!” ordenou desesperado. “Siga-me Darius. Fugiremos por uma saída para a floresta no andar de baixo.” A passos rápidos, as unidades se moveram e o guarda acompanhou o velho. Deixaram o castelo sem chamar atenção alguma. Infiltraram-se nas densas matas, agora escuras, e seguiram em direção a um vilarejo próximo. “Conseguimos, senhor. Aqui teremos abri...” e quatro flechas atingiram o guarda nas costas, fazendo com que caísse. Melo rapidamente deixou as árvores e jogou-se sobre o imperador.
- Xeque-mate,Capitão Joe.
- Não vi sua dama, Raist. – respondeu Joe surpreso. – Jogos divertidos esse mundo tem... Outra?
- Xeque-mate,Capitão Joe.
- Não vi sua dama, Raist. – respondeu Joe surpreso. – Jogos divertidos esse mundo tem... Outra?
quinta-feira, 15 de abril de 2010
Da tempestade à calmaria
Depois de temerosos dias de tempestade, o pirata havia chegado a seu destino. Perdera a conta das tantas vezes que aquela ilha servira como refúgio para sua alma, ou como um conforto para as preocupações e memórias de amores incertos que o fizeram perder noites de sono. Deixou o navio na costa, seguiu carregando uma gaita e uma garrafa de rum, acompanhado de dois marujos. Foi cambaleando pelo areal e, em seguida, atingiu as ruas da cidade. Não se incomodava com os olhares de desprezo dos estranhos, pelo contrário, ria deles, afinal, era o capitão Joe, temido e idolatrado. Viu, à distância, sua tripulação o esperando próximo à Casa, apressou o passo até que finalmente pode se juntar a eles. Não fora diferente das outras vezes, misturou-se aos outros e, em questão de segundos, já havia deixado os males que carregava consigo de lado. E cantaram, e dançaram, e caíram de rir... Seus corações ardendo e suas almas independentes de qualquer submissão. Chegou então a hora de partir, o momento de deixar a ilha. Capitão Joe e seus dois companheiros voltaram ao barco e cruzaram novamente o oceano, que agora não estava tão claro e nem parecia tão perigoso. À porta do apartamento, Joe tirou a chave do bolso e despediu-se dos vizinhos. Subiu as escadarias, desligou a televisão e deixou a chave do carro ao lado do computador. Vestiu o pijama e foi se deitar, já era madrugada da segunda-feira. Antes de cair em sono profundo, fitou um portarretrato posto em sua estante, onde estava sorridente junto aos seus amigos e, logo embaixo, estava escrito “Sem uma tripulação, não há como navegar”.
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